O ensino das ciências da saúde nas universidades tem se atentado para demandas anteriormente pouco percebidas, porém de crucial importância, como a inclusão da percepção da diversidade em suas práticas, especialmente diante da necessidade de formar profissionais capazes de atender a populações plurais com respeito, empatia e competência técnica. Quando se trata da Anatomia Humana, essa preocupação tem sido traduzida na crítica à padronização de corpos brancos, jovens e do sexo masculino como modelo universal, o que contribui para vieses na formação e limita a representatividade nos materiais didáticos. Pensando nisso, o Lab Humanix, ao oferecer modelos personalizáveis por etnia e sexo, surge como uma ferramenta inovadora e alinhada às diretrizes contemporâneas de inclusão e equidade na educação em saúde.
Estudos como os de Botelho e Silva (2017) demonstram que a representatividade corporal nos materiais didáticos influencia diretamente a percepção dos estudantes sobre o cuidado em saúde. A ausência de diversidade nos modelos anatômicos contribui diretamente para reforçar estereótipos, dificultar o reconhecimento de manifestações clínicas em diferentes grupos populacionais e comprometer a qualidade da assistência. A possibilidade de manipular modelos anatômicos digitais que representam diferentes fenótipos humanos otimiza a compreensão das variações anatômicas e clínicas presentes nas populações reais, fortalecendo o ensino humanizado e o raciocínio clínico contextualizado.
A interface da Mesa, ao oferecer a oportunidade de alternância entre diferentes representações corporais, viabiliza a comparação entre variações morfofuncionais, patológicas e raciais, fomentando a formação de competências clínicas mais precisas e sensíveis à diversidade.
Assim, a adoção de tecnologias educacionais como o Lab Humanix não apenas moderniza o ensino, mas participa de forma concreta no urgente movimento de superação de lacunas históricas no que se refere à representatividade, diversidade e inclusão no ensino superior em saúde. A estruturação deste recurso pedagógico reforça o compromisso institucional com a formação de profissionais mais preparados, empáticos e socialmente responsáveis.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOTELHO, M. N.; SILVA, M. C. Representatividade corporal nos materiais didáticos de ciências da saúde: uma análise crítica. Revista Educação em Questão, v. 55, n. 47, p. 141–159, 2017. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao. Acesso em: 15 jul. 2025.
OLIVEIRA, T. P.; CARNEIRO, R. M. Diversidade corporal e ensino de ciências: desafios e possibilidades para uma educação inclusiva. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 22, n. 1, p. 1–20, 2022. Disponível em: https://www.abrapecnet.org.br/revista. Acesso em: 15 jul. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos da Área da Saúde. Brasília: MEC, 2014. Disponível em: https://www.gov.br/mec. Acesso em: 15 jul. 2025.



