O Museu de Zoologia é um espaço com fins científicos e educativos que tem como principais funções reunir, preservar e expor coleções de animais de diferentes subgrupos taxonômicos, promovendo o conhecimento sobre a biodiversidade. Ele apoia pesquisas, ensina sobre a fauna e conscientiza o público sobre a importância da conservação ambiental. A presença da anatomia comparada em seus acervos desempenha papel central na formação do pensamento científico e no cumprimento pleno destes objetivos. Com o avanço das tecnologias digitais e o crescente desafio ético de expor espécimes reais, novas ferramentas têm sido incorporadas para renovar o diálogo entre público e acervo. É neste cenário que o Lab Humanix surge como uma solução potencializadora do ensino não formal da anatomia comparada, por meio de experiências tridimensionais interativas e de caráter sustentável.
A plataforma oferece aos estudantes a oportunidade de visualização simultânea de modelos anatômicos humanos e de outras espécies, além de gerar modelos anatômicos em 3D a partir da renderização de exames de imagem reais. Essa interação facilita a compreensão de princípios fundamentais da anatomia comparada, como homologia, analogia, convergência evolutiva e especializações morfofuncionais. De acordo com Yammine e Violato (2015), tecnologias de visualização tridimensional otimizam a apropriação de conceitos, além do engajamento do público em exposições científicas.
Outra possibilidade interessante da Mesa é a alternância entre corpos com diferentes características de sexo e etnia, além de composição corporal. Esse recurso amplia o valor pedagógico da ferramenta, permitindo que o visitante reconheça a pluralidade da vida e reflita sobre questões de representatividade biológica. Como destacam Botelho e Silva (2017), a inclusão de múltiplos perfis nos materiais expositivos contribui para práticas educativas mais sensíveis e inclusivas.
Além de seu valor científico e pedagógico, a Mesa oferece soluções logísticas e curatoriais importantes. A substituição de espécimes reais por modelos digitais contribui para a preservação de acervos biológicos, reduz riscos sanitários e elimina entraves legais e burocráticos que inviabilizam a exposição de materiais orgânicos. Conforme aponta Cury (2019), a digitalização dos acervos é uma tendência irreversível diante dos novos parâmetros éticos que regem a exibição de restos humanos e animais em museus.
Neste sentido, Museus de Zoologia fortalecem seu papel como espaços de educação científica ativa, crítica e interativa ao incorporar o Lab Humanix em suas exposições, já que essa é uma alternativa que alia tecnologia, ética e inovação, reinventando o modo como se ensina e se aprende anatomia comparada em contextos museológicos contemporâneos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOTELHO, M. N.; SILVA, M. C. Representatividade corporal nos materiais didáticos de ciências da saúde: uma análise crítica. Revista Educação em Questão, v. 55, n. 47, p. 141–159, 2017. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao. Acesso em: 25 jul. 2025.
CURY, Marília Xavier. Ética e museus: reflexões sobre o tratamento de restos humanos em acervos científicos. Cadernos Museológicos, v. 8, n. 2, p. 120–135, 2019. Disponível em: https://cadernosmuseologicos.museus.gov.br. Acesso em: 25 jul. 2025.
YAMMINE, K.; VIOLATO, C. A meta-analysis of the educational effectiveness of three-dimensional visualization technologies in teaching anatomy. Anatomical Sciences Education, v. 8, n. 6, p. 525–538, 2015.
FALK, J. H.; DIERKING, L. D. The Museum Experience Revisited. Walnut Creek: Left Coast Press, 2016.



