Os espaços de educação não formal, como os museus, têm vivenciado uma popularização das tecnologias digitais, o que impulsiona significativamente o desenvolvimento de soluções interativas capazes de articular ciência, inovação e acessibilidade. O Lab Humanix, representa plenamente este tipo de objeto tecnológico, que pode contribuir para que estes espaços alcancem o objetivo de alta relevância educacional. Desenvolvida para permitir a exploração tridimensional do corpo humano, a mesa reúne rigor científico e usabilidade pedagógica, sendo especialmente eficaz na mediação do conhecimento biomédico para públicos diversos.
A plataforma possibilita a visualização detalhada do corpo humano e suas estruturas através de modelos tridimensionais gerados pela renderização de exames clínicos reais, como tomografias e ressonâncias. A dissecação virtual destes modelos, que permitem transparência e rotação, oferece ao visitante uma experiência ativa de aprendizagem.
Considerando-se a ótica museológica, a Humanix destaca-se como solução viável para exposições temáticas relacionadas à saúde, biotecnologia e educação científica. Museus de ciência e tecnologia que incorporam recursos interativos determinam ambientes mais atrativos e eficazes para a mediação cultural e científica. Falk e Dierking (2016) apontam que a imersão sensorial e a participação ativa são fatores determinantes para a construção do conhecimento em museus, especialmente quando se trata de temas e conceitos complexos, como acontece com a anatomia e o funcionamento do corpo humano.
Além dos fatores anteriormente citados, a substituição de cadáveres ou peças biológicas por modelos digitais embasam práticas mais éticas e sustentáveis. Cury (2019) defende que o uso de tecnologias digitais em exposições anatômicas respeita os limites legais e culturais associados ao trato com restos humanos, além de eliminar riscos sanitários e logísticos.
Assim, se apresentando como objeto educacional e tecnológico, o Lab Humanix redefine o modo como a ciência é entregue ao público, oferecendo interatividade e precisão para o que é exposto. Sua adoção em espaços como museus reflete um compromisso da instituição com a atualização pedagógica, a inovação tecnológica e a democratização do saber científico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOTELHO, M. N.; SILVA, M. C. Representatividade corporal nos materiais didáticos de ciências da saúde: uma análise crítica. Revista Educação em Questão, v. 55, n. 47, p. 141–159, 2017. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao. Acesso em: 28 jul. 2025.
CURY, Marília Xavier. Ética e museus: reflexões sobre o tratamento de restos humanos em acervos científicos. Cadernos Museológicos, v. 8, n. 2, p. 120–135, 2019. Disponível em: https://cadernosmuseologicos.museus.gov.br. Acesso em: 28 jul. 2025.
FALK, J. H.; DIERKING, L. D. The Museum Experience Revisited. Walnut Creek: Left Coast Press, 2016.
YAMMINE, K.; VIOLATO, C. A meta-analysis of the educational effectiveness of three-dimensional visualization technologies in teaching anatomy. Anatomical Sciences Education, v. 8, n. 6, p. 525–538, 2015.



