DO ANALÓGICO AO DIGITAL: O LAB HUMANIX E A REINVENÇÃO DAS EXPOSIÇÕES EM MUSEUS DE HISTÓRIA NATURAL.

  Museus de História Natural são espaços importantes de divulgação científica, e felizmente se encontram bem distribuídos pelo território nacional, já que o Brasil apresenta uma biodiversidade conhecida pela sua exuberância, determinando uma extensa e impressionante história natural. Este cenário tem passado, cada vez mais, pela transição do analógico para o digital, o que vem impactando profundamente a forma como estas instituições concebem e realizam suas exposições. 

No contexto atual, marcado pela valorização da interatividade, da mediação tecnológica e da democratização do acesso ao conhecimento científico, recursos como o Lab Humanix se encaixam perfeitamente como alternativas capazes de enriquecer a experiência museológica e atrair novos públicos. Essa solução oferece suporte técnico, formação pedagógica e atualização contínua, permitindo a visualização tridimensional do corpo humano, com base em dados reais de imagem, contribuindo ativamente para o potencial educativo e científico das exposições, sejam elas permanentes ou temporárias.

  A digitalização do conhecimento de Anatomia agrega para além da mera modernização dos acervos, reconfigurando também as práticas de mediação cultural. O Lab Humanix permite que visitantes interajam com modelos anatômicos que representam diferentes sexos, etnias e condições clínicas, promovendo uma abordagem mais representativa da diversidade humana. Segundo Brandão (2020), o uso de tecnologias digitais nos museus otimiza a educação científica, favorecendo experiências de aprendizagem imersivas.

  Essa ferramenta também se alinha plenamente às novas diretrizes museológicas que enfatizam a sustentabilidade, a acessibilidade e o compromisso social. Ao substituir peças biológicas reais ou representações estáticas por modelos digitais dinâmicos, a Mesa elimina os custos e os desafios éticos associados à conservação de espécimes (Cury, 2019). Além disso, suas funcionalidades que podem ser operadas de forma intuitiva facilitam o engajamento de públicos diversos, desde estudantes do ensino básico até pesquisadores e visitantes ocasionais, tornando-se um diferencial competitivo e qualificando instituições em constante atualização.

  Museus de História Natural que incorporam recursos como o Lab Humanix podem integrar suas exposições aos currículos escolares e aos programas de extensão universitária, demonstrando o cumprimento de um papel estratégico na articulação entre ciência, cultura e educação. Como destaca Santos (2018), museus que investem em tecnologias interativas fortalecem sua função educativa e transformam-se em ambientes de experimentação e construção de conhecimento, superando o modelo tradicionalmente passivo e expositivo.

  Neste sentido, a presença da Mesa Digital de Anatomia em exposições científicas pode determinar não apenas uma modernização estética, mas uma mudança de paradigma nos modos de apresentar e explorar o corpo humano nestes ambientes. A ferramenta tecnológica é capaz de articular o rigor científico à linguagem acessível e envolvente, posicionando os Museus de História Natural como protagonistas da inovação na divulgação científica e na formação crítica da sociedade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRANDÃO, Carlos Rogério. Museus, tecnologias e educação: interfaces possíveis para a inovação educativa. Revista Museologia e Patrimônio, v. 13, n. 1, p. 36–52, 2020. Disponível em: https://revistamuseologiaepatrimonio.mast.br. Acesso em: 23 jul. 2025.

CURY, Marília Xavier. Ética e museus: reflexões sobre o tratamento de restos humanos em acervos científicos. Cadernos Museológicos, v. 8, n. 2, p. 120–135, 2019. Disponível em: https://cadernosmuseologicos.museus.gov.br. Acesso em: 23 jul. 2025.

SANTOS, Fabiana Oliveira. Tecnologias digitais em museus: novas formas de mediação no espaço expositivo. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 18, n. 2, p. 399–423, 2018. Disponível em: https://www.abrapecnet.org.br/revista. Acesso em: 23 jul. 2025.