DO CADÁVER AO HOLOGRAMA: INOVAÇÃO E SEGURANÇA EM MUSEUS COM O LAB HUMANIX

  Os museus de anatomia humana têm suas práticas tradicionalmente marcadas pela exposição de peças biológicas reais e restos cadavéricos, o que determina, atualmente, um conjunto de desafios éticos, legais e pedagógicos. Um movimento de crescente valorização da dignidade humana tem tomado espaço central nas discussões relacionadas à área. Questões sanitárias somadas à problemática da escassez de corpos disponíveis para uso público, demandam alternativas tecnológicas inovadoras e seguras. Nesse contexto, o Lab Humanix, representa uma resposta de vanguarda, capaz de incorporar, de forma integrada, rigor científico, interatividade e respeito ético ao conteúdo anatômico.

  A proposta do Lab Humanix é substituir as tradicionais exposições de cadáveres por modelos tridimensionais interativos e realistas, gerados a partir da renderização de exames clínicos reais. A tecnologia oferece ao visitante a possibilidade de explorar virtualmente órgãos e sistemas do corpo humano, realizar dissecações digitais e simulações clínicas em uma plataforma intuitiva e livre de riscos biológicos. Como destacam Estai e Bunt (2016), o uso de simulações digitais no ensino de anatomia potencializa a compreensão espacial, o que também se aplica a espaços expositivos com fins educativos.

  A segurança é outro ponto central dessa inovação. O uso da Humanix elimina a necessidade de manipulação de peças preservadas em formol — substância conhecida por seus riscos toxicológicos, conforme evidenciado por Coleman, Kogan e O’Connor (2014). Além disso, a mesa proporciona ao público uma experiência de interação com os conteúdos de maneira personalizada e livre, promovendo um aprendizado ativo e imersivo.

  No campo ético, a substituição de cadáveres por representações digitais soluciona plenamente os desafios associados aos métodos tradicionais, que envolvem a exposição de corpos humanos, muitas vezes coletados de forma não consentida ou sem adequada contextualização histórica e cultural. Cury (2019) defende que museus devem alinhar suas práticas à ética do respeito à vida e à memória, aspecto que a Humanix incorpora ao oferecer conhecimento sem violar direitos fundamentais.

  Nossa solução fornece formação para mediadores, suporte técnico e orientações para integração da mesa ao acervo expositivo, o que possibilita os museus de anatomia reinventarem sua prática educativa, além de reforçar seu compromisso com a reconfiguração do ensino informal da anatomia, valorizando a ética, a inovação e a acessibilidade como pilares fundamentais da experiência museológica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOTELHO, M. N.; SILVA, M. C. Representatividade corporal nos materiais didáticos de ciências da saúde: uma análise crítica. Revista Educação em Questão, v. 55, n. 47, p. 141–159, 2017. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao. Acesso em: 04 Ago. 2025.

COLEMAN, R.; KOGAN, I.; O’CONNOR, S. Formaldehyde exposure in gross anatomy laboratories. Clinical Anatomy, v. 27, n. 6, p. 819–825, 2014.

CURY, Marília Xavier. Ética e museus: reflexões sobre o tratamento de restos humanos em acervos científicos. Cadernos Museológicos, v. 8, n. 2, p. 120–135, 2019. Disponível em: https://cadernosmuseologicos.museus.gov.br. Acesso em: 04 Ago. 2025.

ESTAI, M.; BUNT, S. Best teaching practices in anatomy education: A critical review. Annals of Anatomy, v. 208, p. 151–157, 2016.

YAMMINE, K.; VIOLATO, C. A meta-analysis of the educational effectiveness of three-dimensional visualization technologies in teaching anatomy. Anatomical Sciences Education, v. 8, n. 6, p. 525–538, 2015.